E quando chega a noite e eu não consigo dormir, meu coração acelera e eu sozinha aqui. Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão. Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão.
Nunca consegui acompanhar uma novela, mas aqui estou eu, sem saber se faço dever de espanhol ou se enfio minha mão na TV e ponho a Mari e o Benjamim na mesma porra de lugar.
Hoje perdi dois horários de aula no auditório, junto com todas as outras salas. Hoje eu acordei feliz, as provas acabaram, tava até cantando no meio da sala, falando de futebol com as Marias medrosas e blablabla. Nem lembrei da existência de certas coisas.
No auditório sentei bem no meio, escolha da A, o Ed tava lá perto e ela quis sentar lá. Falando em Ed, hoje o professor subiu o horário de intervalo e quando cheguei na lanchonete ele tava lá com uns amigos e quando eu sentei juro que ele sorriu pra mim, mas juro mesmo, até olhei pros lados feito boba procurando pra quem ele podia ter sorrido. Não tinha ninguém. Anyway, lá naquele lugar era possível ver todo mundo que entrava e saia do auditório. O M entrou com o cabelo lindo de sempre e, um pouco atrás, o C. Ah, ele tava de óculos, minha mão até suou quando ele passou os olhos pelas cadeiras e acabou sentando perto dos amigos, do outro lado. Nisso a A já tava zoando, como me shippa com ele e tal, geralmente eu rio e digo que shippo também, a verdade é que eu realmente shippo e sei que ela diz de brincadeira.
Desde o primeiro dia temos esse pequeno grande abismo pelo M e pelo C, falamos deles sempre, sussurramos quando eles passam, tentamos trombar com eles 'acidentalmente'. Mas acho que em algum momento entre essas brincadeiras elas deixaram de der brincadeiras pra mim. Acho que foi quando o V, o meu amigo e amigo do C e do M que é apaixonado pela A me chamou pra sair com um povo, e o C, quando ele tinha brigado com a britânica vaca. Acho que ele queria saber se eu podia ser afim do C e, olha, eu também queria saber.
Algumas vezes eu penso em falar pra A que eu realmente gosto do C, mas não sei falar isso nem pra mim mesma. Digo, nem sou amiga dele, nunca conversamos diretamente. Mas essas coisas a gente simplesmente sabe, né?
Foi perdida nesses pensamentos que não percebi que quando o C entrou, ele entrou sozinho. É. sozinho. A A comentou alguma coisa mas nem prestei atenção quando vi a brivaca sentada NA MESMA CADEIRA de um menino da sala deles.
Se eu não contei, conto agora. Em algum momento das férias quando o C e a britânica já tavam ficando mas "não era oficial", como o V disse, ela ficou com um menino que o C e os amigos dele odiavam. Eles ficaram brigados por um tempão e depois voltaram. Nunca soube direito a história e não vai ser hoje que vou chegar em um deles e perguntar por pura curiosidade. Sempre tento descobrir quem é, se é lá da escola ou não. A minha escola é tipo uma família, um outra cidade. Uma dessas cidadezinhas onde sua família tem fazenda e que as pessoas que você conhece lá são de lá, virão seus amigos lá, o mundo fora é outro mundo. Então entre teorias e teorias, eu e A resolvemos acreditar que o tal garoto é lá da escola.
Eu poderia escrever a vida de teorias, mas não. Esse não é o assunto hoje. Hoje, quero que vocês comprem sorvete, tirem a maquiagem e deslizem pelo chão com meias brancas para comemorar que o C e a britânica se separaram.
Talvez eu exagere. Ok, eu realmente exagero. Mas se eu fosse um cara e minha namorada nem olhasse na minha cara e ficasse do outro lado da sala e no auditório sentasse quase que no colo e um menino que eu não curto, se eu não tivesse brigado com ela antes, agora eu brigava. Brigava, mandava já pra saia da mãe dela e deixar meu colchão.
Eu não sei se metade das coisas que escrevi aqui hoje são reais ou meu cérebro cansado de sofrer voltou a se iludir. Te contei tantos segredos que já não eram só meus, rimas de um velho diário que nunca me pertenceu.
XOXO
Arabela
Esqueceu o outro l querida, beijos.
ResponderExcluirAbraços.
-p